- abril 7, 2026
CRISE NA SEGURANÇA. Salário de investigador e escrivão chega a ser menor que carreiras de nível médio, aponta Sinpol-MT
O salário de investigador e escrivão da Polícia Civil de Mato Grosso não está equiparado às demais carreiras de nível superior do Estado, sendo inferior inclusive a algumas carreiras de nível médio. A observação foi feita pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso (Sinpol-MT), Gláucio Castañon, durante conversa com a Associação dos Analistas do Poder Judiciário de Mato Grosso (Anajud-MT).
“A sociedade vê grande operações da Polícia Civil, com recuperação de ativos, bloqueio milionário em contas bancárias, identificação de bens (…). Quem faz essa análise, através dos dados extraídos, são os investigadores”, ressalta Gláucio, lembrando que toda a análise de dados, sejam elas financeira, bancária ou de vínculo entre diversos atores que cometeram crimes, são feitos pela Polícia Civil. “São em torno de 15, 16 análises diferentes”, aponta.
Mesmo nessa posição estratégica das carreiras de nível superior do Estado, o salário não acompanha a complexidade da função.
“Nosso salário não é compatível com os demais cargos de nível superior do Estado. Os analistas do sistema penitenciário, os analistas do socioeducativo, analistas do Detran, analistas da área meio. O nosso salário hoje é o pior salário de nível superior do Estado. Inclusive tem carreira de nível médio, cujo salário final é maior que o salário final de investigador e escrivão”, informa o presidente do Sinpol.
Operação Legalidade
Investigadores e escrivães iniciaram dia 30 de março em Mato Grosso a ‘Operação Legalidade’. Foi uma resposta ao descaso do governo estadual em implementar a reestruturação operacional e administrativa da Polícia Civil, prevista na nova Lei Orgânica (14.735/2023) nacional e que foi sancionada há mais de dois anos pelo governo federal. Na prática, investigadores e escrivães passaram a fazer apenas o que tem previsão legal.
Em função do quadro e para cumprir com a função social de levar ao conhecimento da sociedade a real situação da segurança pública mato-grossense, Sinpol e Sindepojuc (Sindicato dos Escrivães da Polícia Civil) recomendam que se esclareça às vítimas, familiares e sociedade em geral, os seguintes assuntos:
· Descaso do governo para com a polícia investigativa;
· Os prejuízos causados à sociedade pela falta da implementação da Lei Orgânica Nacional, como exemplo, a demora no atendimento nas delegacias e a falta de otimização da investigação;
· Falta de efetivo (menos de 50% do efetivo previsto);
· Desvio de função: além do efetivo ser insuficiente, os investigadores ainda têm que fazer escolta e cuidar de presos (o que proibido por lei), deixando assim de investigar os crimes que prejudicam a sociedade;
. Sobrecarga de trabalho excessiva, com investigadores chegando a trabalhar 192 horas (plantão nas delegacias) e ficando mais 192 horas de sobreaviso, aguardando ser acionado a qualquer momento.
. Explicar que por lei a carga horária seria de apenas 160 por mês, ou 40 horas por semana, como os demais servidores públicos.
Confira trecho da conversa do presidente do Sinpol com a Anajud: